As cores no cinema de Almodóvar



Pedro Almodóvar é um diretor, roteirista e produtor espanhol, responsável por realizar grandes filmes como “A Pele Que Habito” (2011), “Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos” (1988) e “Tudo sobre Minha Mãe” (1999). Primeiro espanhol a ser indicado para o Oscar de Melhor Diretor, Almodóvar consolidou sua carreira com um jeito original de fazer cinema.



Seus filmes, majoritariamente protagonizados por mulheres, contam com um estilo único, reconhecido mundo afora. O cineasta utiliza de várias marcas em suas narrativas, tais como as temáticas abordadas (sexualidade, paixão, humor), atores e atrizes que o acompanham (como Penélope Cruz, Carmen Maura e Antonio Banderas) e cores marcantes, criando filmes inconfundíveis.


Influenciada pela pop arte e kitsch, a direção de arte extravagante dos filmes de Almodóvar elevam e dão destaque às cores, que são utilizadas de maneira muito particular. Ao misturar drama e comédia, ele utiliza do exagero estético para conseguir contar suas histórias, que são sempre vibrantes.



O diretor faz uso constante das cores fortes, também denominadas em espanhol de “chillones” (cores que “gritam”), sendo o vermelho o destaque. Essa cor pode ser vista nas roupas das personagens ou no cenário, como objetos, carros, móveis, comidas, entre outros. A temática da sexualidade, tanto tratada pelo diretor, também é evocada pela cor vermelha, assim como o sangue, presente em filmes como “Volver” (2006).


“Uso o vermelho de uma maneira bem sensual – não importa a cultura, é sempre uma cor significativa” (Pedro Almodóvar)



Essa cor, presente tanto fortemente quanto em detalhes na filmografia do diretor, provoca sensações de paixão, amor e intensidade. Narrativamente, todos os personagens de seus filmes estão envoltos em situações melodramáticas, dramalhões e tragédias e, de acordo com A Teoria das Cores, o vermelho desperta fortes sentimentos, possibilitando que as emoções fluam mais facilmente. Assim, os dramas de Almodóvar adquirem intensidade, e quem assiste se encontra preso às narrativas, ao se conectar com o universo colorido de seus filmes.


Todavia, outras fortes cores também estão presentes. Almodóvar diz que suas obras são muito dependentes da cor, e que para isso utiliza-se muito do verde, azul e amarelo, para além do vermelho (que é o essencial, de acordo com ele). Todas elas têm um grande papel narrativo, evocando os sentimentos vividos pelos personagens, além de provocar sensações no próprio espectador.


Em uma das primeiras cenas de “Tudo Sobre a Minha Mãe” (1999), é possível ver o jogo de cores que Almodóvar gosta de fazer. Esteban, filho que sofre com a ausência do pai, é associado ao azul, que carrega essa frieza e melancolia através da cor. Em contraste temos Manuela, a mãe, que evoca o vermelho, mostrando novamente como essa cor evoca maternidade, paixão, sexualidade, violência, teatralidade e mais.



Alex DeLarge, o personagem principal de “Laranja Mecânica" (1971, dir. Stanley Kubrick), disse uma vez que “as cores do mundo real parecem muito mais reais quando vistas no cinema”. Nos filmes de Almodóvar, isso é uma verdade: com os elementos kitsch e ambientes coloridos, o diretor torna suas histórias absurdas mais reais, evocando os lados humanos de todos os seus personagens com riqueza e muita cor.

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