As ecléticas playlists de Stanley Kubrick



Stanley Kubrick não foi um diretor fácil. Era tão perfeccionista em suas produções que chegava a tornar-se obsessivo, fazendo com que atores e atrizes passassem por situações extremas durante as gravações. Contudo, no tanto que parecia se desconectar com as pessoas, conectava-se com a música. Ao misturar orquestras e canções pop para compor suas trilhas sonoras, Stanley Kubrick mudou a forma de se pensar a trilha musical, abrindo portas para as mais diversas experimentações.


Sendo um autodidata, a carreira de Kubrick foi tomada por tentativas e erros. Sua evolução é notável, a qualidade sempre melhorando de um filme para o outro. Em termos musicais, seus primeiros quatro filmes seguem de maneira clássica, com musicistas como Gerald Fried e Alex North compondo e executando as canções, como era comum até então. Em 1962, todavia, as coisas começam a mudar: Nelson Riddle e Bob Barris compuseram uma canção título para o filme “Lolita”.



Foi essa a faísca que fez com que Kubrick percebesse que músicas em seus filmes poderiam contar histórias, comentando o que acontece. Daí para frente todas as suas narrativas estariam envoltas em canções, que criaram momentos dos mais marcantes para o cinema. Na mente de Kubrick, não havia porquê encomendar novas canções orquestradas, quando já se haviam compositores como Mozart e Strauss. A utilização dessas composições ficou tão marcante que quando as ouvimos, é comum recordarmos primeiro das cenas que as contém e só depois de quem compôs (mesmo sendo músicas famosas).



Assim, cada filme seu utilizou da música de uma forma particular. “2001 - Uma Odisséia no Espaço” (1968), que Kubrick mudou a trilha sonora toda na pós-produção, colocando apenas músicas clássicas já existentes. “Laranja Mecânica” (1971), acompanhado de Beethoven. “Barry Lyndon" (1999), com uma seleção musical que inclui nomes como Schubert, Vivaldi e Bach para acompanhar o aventureiro personagem. E claro, “Nascido para Matar'' (1987), que chama atenção pela grande quantidade de músicas pop, como “Hello Vietnam” (Johnny Wright) e “Paint It Black” dos Rolling Stones, na hora dos créditos.



Uma coisa é certa: não há nada que Kubrick não tenha experimentado em seus filmes. Eclético, passava o dia inteiro ouvindo música. No que diz a respeito da musicalidade dos filmes, Stanley Kubrick conseguiu revolucionar, misturando muito bem a música erudita com a pop, sempre respeitando os musicistas e atingindo resultados que, de fato, ficaram marcados na história do cinema. Com Kubrick, todo filme resultava em uma playlist nova e, até hoje, ouvimos e pensamos nele.



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