Blow-Up e Las Babas del Diablo



Blow-Up - Depois Daquele Beijo

Ano: 1966

Direção: Michelangelo Antonioni

IMDb: 7,6


Blow-Up é um filme ítalo-britânico, o primeiro em língua inglesa de Antonioni. Inspirou Antonioni, Edward Bond e Tonino Guerra se inspiraram no conto "Las babas del diablo", escrito pelo autor argentino Julio Cortázar, em 1959, para escrever o roteiro e compor a narrativa do filme.



O próprio autor aparece no filme, em um dos registros que o personagem faz. O conto mostra um fotográfo amador nas ruas de Paris, que um dia resolve passear no parque e avista um suposto casal tendo uma discussão. Então, ele começa a registrar o momento em fotos, o que chama a atenção da mulher, que tenta a todo custo recuperar os negativos.


O filme de Antonioni segue a mesma base do conto. Thomas é um renomado fotógrafo de moda de Londres, que um dia decide fotografar um casal misterioso em um parque. Ao analisar as fotos, percebe algo suspeito e resolve investigar o que presenciou.


Em "Las Babas del Diablo", o autor divaga sobre as capturas fotográficas e a revelação das fotos, enquanto Antonioni, naturalmente, incrementa e amplia a narrativa com outras situações, tal como o momento em que duas modelos (uma delas interpretada por Jane Birkin) resolvem visitar o fotográfo.



Em ambos os casos, há uma discrepância de idade entre os dois casais fotografados, tanto entre a misteriosa mulher loura e o adolescente no conto, quanto entre o homem bem mais velho e a mulher que acompanha no filme. O que muda é a relação final entre ambos - Blow-Up deixa o final em aberto, sem grandes respostas conclusivas, enquanto o conto segue por outro caminho. Contudo, o que é retratado no conto é dito pela visão do protagonista, isto é, não é possível afirmar que a conclusão que ele chegou é real de fato.


Blow-Up termina com mímicos simulando uma partida de tênis, colocando em pauta o que é o real ou não em uma metáfora, assunto que é retratado no conto argentino também. "Las Babas del Diablo", assim como o filme de Antonioni, discorre a cerca da fotografia, o poder de congelar momentos, sobre enxergar apenas o que queremos ver e, por fim, sobre a realidade como um todo.

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