Um breve comentário sobre Elastic Heart da Sia



Eu vejo e revejo Elastic Heart da Sia. Sempre tem algo novo que percebo nessa jaula de conflitos que a artista construiu. Poderia ser o sonho mais sincero de qualquer um de nós. Assim resolvo tratar algumas obras de arte: como imagens que brotaram do meu inconsciente, dos meus próprios sonhos. Afinal, o que tanto me atrai nesse clipe para estar sempre curioso, procurando novas ideias, novas reflexões? Que resposta quero encontrar nessa luta/dança entre esse homem e essa menina?

Pouco me importa o que a Sia tentou criar. Tenho essa mania de me apropriar das obras de arte e quase chamar de minha. É um hábito saudável, tente fazer isso com aquilo que te deixa instigado. A gente se encontra muitas vezes nos mesmos filmes, nas mesmas músicas, nos mesmos quadros. E é sempre um novo ‘eu’.

Eu amo esse encontro entre a menina e o homem dentro da jaula. Onde, nitidamente, ele pode sair a qualquer momento, mas não sai. Como uma espécie de maldição, ele não sai nem arrastado por essa menina que ele consegue fazer as pazes ao final do clipe. Um conflito constante entre duas diferentes forças que, hora quer apaziguar, hora quer se vingar - agredir. É um medo constante quando esses dois arquétipos se confrontam. Fico imaginando a luta que eles travam dentro de mim e quem costuma vencer.

Na maioria dos homens acredito que essas meninas estão esmagadas. Todos os dias são pisoteadas, sem a mínima chance de brotarem durante uma bela noite de sonhos e trazerem algum fôlego diante de tanta macheza.



Acho que é nesse lugar que esse clipe transita dentro de mim: a dura dificuldade em sabermos qual é a hora certa de liberar o homem e a menina de dentro dessa jaula imaginária.



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Sobre o autor do texto: Caetano Grippo é cineasta, artista plástico e professor. No Espaço Rasgo, além de coordenador é idealizador e professor dos cursos de narrativas, fotografia e direção.



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