Oito filmes de horror dirigidos por mulheres

Atualizado: Mai 26


O gênero cinematográfico de Horror possui um extenso histórico de machismo por trás e em frente às câmeras, utilizando com frequência personagens femininas rasas e hiperssexualizadas feitas para agradar somente ao olhar masculino. Porém, à medida em que as mulheres se inseriram como autoras dentro do Horror, modificando a indústria cinematográfica, a representação feminina dentro do gênero também se transformou. Diversas autoras começaram a utilizar-se de figuras monstruosas para traduzir problemas sociais que mulheres enfrentam cotidianamente: repressão sexual, padrões de beleza inalcançáveis, ansiedade em relação ao casamento e à maternidade, dentre outros tantos.


A lista a seguir conta com 8 filmes dirigidos por mulheres que trazem uma representação diferenciada da figura feminina, criando personagens complexas dentro de narrativas que discutem diversas problemáticas sociais.



1. A ATRAÇÃO (Córki dancingu)

2015

IMDb: 6,3

Diretora: Agnieszka Smoczynska

Escritora e cineasta polonesa, é conhecida por "Fuga" (2018) e "Aria Diva" (2007).


SINOPSE: Musical do gênero horror, o filme conta a história de duas sereias irmãs que têm de fazer escolhas cruéis quando uma delas se apaixona por um humano.


No longa de terror musical “A atração”, Golden e Silver são duas sereias que começam a se apresentar em uma casa de shows, e enquanto Silver se apaixona por um garoto e aos poucos vai abrindo mão de sua monstruosidade, Golden sente no gosto da carne humana, a sua liberdade e poder. Neste filme, o uso das deformações e transformações animalescas como espetáculos é muito bem representado, sendo um dos pontos importantes para discutir a monstruosidade feminina dentro do gênero.



2. RAW (Grave)

2015

IMDb: 7,0

Diretora: Julia Ducournau

Diretora e roteirista francesa, estudou em La Fémis e produz filmes com a temática do corpo, dentro do gênero de horror. O filme "Raw" foi exibido no Festival de Cannes de 2016 e ganhou prêmios como Best Feature Film (melhor filme de estreia) no London Film Festival.


SINOPSE: Justine era vegetariana até que, em seu primeiro ano de faculdade, aos 16 anos, experimenta carne pela primeira vez e a ação provoca grandes mudanças em sua vida.


Explorando temas como sexualidade, as diferenças entre as gerações de mulheres de uma mesma família e a autonomia da personagem principal, “Raw” utiliza-se do canibalismo para representar questões identitárias femininas e discutir acerca do que é ser mulher e do que isto significa dentro de uma sociedade fundamentalmente patriarcal. Como declarou a diretora Julia Ducornau sobre o canibalismo: “Algumas tribos o praticam ritualmente, sem sentir vergonha. Você tem essa sensação ao morder o braço de alguém por diversão, a de querer ir um pouco mais longe, mas não o faz por causa de seus preceitos morais. Esta coisa está em nós, mas, simplesmente, não a queremos enxergar. Então pensei, já que minhas personagens se sentem, no fundo, como monstros, eu queria que a audiência se sentisse como um monstro, e entendesse o que ela está fazendo. Por que somos