O visual sonoro de Sergio Leone e Ennio Morricone


Spaghetti western, western italiano, faroeste espaguete, faroeste italiano. São muitos os nomes para se referir ao movimento italiano das décadas de 1960-1970, um sub gênero do faroeste. Desses filmes saíram famosos atores, diretores e compositores. Dois deles se conheceram no colégio, quando eram pequenos. 5a série. Série A do Instituto São João Batista, 1937. Anos depois viriam a se reencontrar e fazer seis filmes juntos. São eles Sergio Leone e Ennio Morricone, dois grandes nomes do cinema mundial.


Tendo dirigido apenas 7 filmes, Sergio Leone se tornou um dos mais consagrados diretores da história do cinema. Filho de diretores pioneiros do cinema italiano, a cinefilia de Leone começou muito cedo em sua vida. Foi assistente de direção de diversos filmes, e estreou como diretor nos anos 60. Ennio Morricone nasceu em Roma, filho de trompetista, e começou a compor aos 6 anos. Seu talento era tanto, que compunha orquestras de uma vez só, posteriormente trabalhando em filmes como “Cinema Paradiso” (1988) e “Os Oito Odiados” (2015), de Quentin Tarantino.


A colaboração desses dois mestres começou quando Morricone foi “apresentado” para Leone para compor a trilha sonora de “Por um Punhado de Dólares” (1964). Morricone reconheceu Leone dos tempos de escola, mas Leone não se recordava dele. Após isto, realizaram todos os filmes em que Sergio Leone foi diretor, juntos.


Apegados ao cinema faroeste norte americano, os críticos a ficaram relutantes à onda do faroeste italiano no começo. Contudo, não tinha como negar: a abertura de “Três Homens em Conflito” (1966) era esplêndida, assim como todas as produções que Sergio Leone participou. Hoje em dia é impossível não reconhecer as músicas e frames fechados em olhares de seus filmes. Dessa maneira, Sergio Leone conseguiu aos poucos internacionalizar o western italiano, transformando-o em um fenômeno, levando nomes como Clint Eastwood para o sucesso.


Leone tinha uma característica marcante em seus filmes: o som. O diretor gostava de ouvir a trilha sonora antes dos filmes, para arquitetar as cenas em torno delas. Além das músicas, ele também sabia trabalhar muito bem o silêncio, preparando-o para o uso excessivo do som. Dito isso, o filme entrava em um outro patamar: a música de Morricone se tornava visual. Musicista de primeira linha, Ennio Morricone experimentava sons e levava os instrumentos p